Em muitas mineradoras, a operação funciona. O volume sai, os contratos giram, o faturamento entra. Mas quando alguém pergunta “qual é, de fato, a nossa margem de lucro?”, a resposta pode vir acompanhada de silêncio, suposições ou planilhas paralelas.

E é aqui que mora um dos maiores riscos do setor.

Sem um controle financeiro estruturado, a empresa até cresce, mas não necessariamente lucra. E pior: pode estar perdendo margem sem perceber.

Este conteúdo é um convite para olhar com mais profundidade para o que realmente sustenta a rentabilidade na mineração e como evitar quecustos invisíveis corroam resultados.

Por que muitas mineradoras não conhecem sua margem real?

A característica da mineração de ser operacionalmente intensa muitas vezes complica o controle financeiro, afinal, são múltiplas frentes ao mesmo tempo:

Assim, é comum que o financeiro funcione de forma reativa, registrando o que já aconteceu, sem necessariamente interpretar o que está ocorrendo naquele momento.

O problema é que margem não é apenas o cálculo de receita menos custo. Ela depende de:

  • Como os custos são classificados
  • Quando são registrados
  • E principalmente, como são analisados

Sem isso, a empresa pode até faturar bem, mas operar próxima do ponto de equilíbrio sem perceber.

Principais custos na mineração (e onde a margem se perde)

Antes de falar de controle, é preciso entender onde o dinheiro está indo.

1. Combustível (diesel)

O diesel é, de fato, o principal custo operacional da mineração, representando cerca de 30 a 35% dos custos operacionais no transporte.

Isso acontece porque:

  • A operação depende fortemente de equipamentos pesados
  • O consumo varia com terreno, carga e ciclo operacional

👉 Ou seja: tratar combustível como custo crítico é padrão do setor.

2. Manutenção

A manutenção aparece sempre como um dos maiores centros de custo. Ela pode representar aproximadamente 19% a 41% dos custos operacionais, dependendo da frota.

Nos gastos da manutenção de uma mineradora, estão inclusos:

  • Manutenção preventiva e corretiva
  • Peças, reformas e paradas operacionais

3. Pneus

Os pneus são um custo relevante e, muitas vezes, subestimado. Eles representam de 20% a 30% dos custos operacionais de equipamentos móveis.

Ou seja: não é um detalhe, é um dos maiores custos diretos da operação.

4. Folha de pagamento (mão de obra)

A mão de obra entra como custo direto clássico da mineração. Está entre os principais custos proporcionais à produção, junto com insumos e materiais. Nela, estão inclusos:

  • Operação de equipamentos
  • Equipes técnicas
  • Supervisão e apoio

5. Desperdícios e ineficiências operacionais

Aqui está um dos pontos mais críticos e, ao mesmo tempo, menos visíveis dentro do controle financeiro tradicional.

Mesmo com o setor mineral brasileiro atingindo cerca de R$ 298,8 bilhões em faturamento em 2025, segundodados do IBRAM, a pressão sobre custos e eficiência operacional continua sendo um dos principais desafios para sustentar a margem.

Isso acontece porque, na mineração, uma parte relevante das perdas não está concentrada em um único centro de custo, mas distribuída ao longo de toda a cadeia operacional.

Pequenas falhas, quando repetidas em escala, geram impactos:

  • Mais horas de equipamento em operação
  • Maior consumo de combustível
  • Retrabalho em etapas produtivas
  • Perda de qualidade do minério

E o mais importante: esses impactos nem sempre aparecem de forma direta no financeiro.

Na prática, as perdas podem acontecer em momentos de:

Extração ineficiente

  • Desvio do plano de lavra
  • Diluição de minério (perda de teor)
  • Retrabalho na frente de operação

Transporte inadequado

  • Rotas não otimizadas
  • Filas e ociosidade de equipamentos
  • Movimentações desnecessárias

Falhas no beneficiamento

  • Perdas no processamento
  • Ineficiência na britagem e classificação
  • Reprocessamento de material

O grande desafio não é apenas a existência dessas ineficiências, mas a forma como elas aparecem (ou não aparecem) nos dados.

Na prática:

  • Custos são diluídos em categorias amplas
  • Perdas não são rastreadas por etapa
  • Impactos operacionais não são conectados à receita

O resultado é uma distorção onde a operação cresce, o faturamento aumenta, como mostram osdados do setor, mas a margem não acompanha na mesma proporção.

Por que isso virou um tema central?

Mineradoras brasileiras estão sendo pressionadas a rever seus modelos operacionais para gerar valor com mais eficiência.

De acordo com aPwC, o aumento das pressões regulatórias, econômicas e sociais tem levado empresas do setor a reinventarem seus modelos de negócio para criar valor de novas formas.

Nesse contexto, o avanço tecnológico passa a ser um fator-chave para impulsionar produtividade e sustentabilidade nas operações.

O que muda quando há controle real?

Quando essas perdas passam a ser monitoradas de forma integrada:

  • O custo deixa de ser apenas registrado
  • E passa a ser explicado

A empresa consegue:

  • Identificar gargalos operacionais
  • Reduzir desperdícios de forma direcionada
  • Proteger margem mesmo em cenários de pressão

Erros comuns no controle financeiro em mineradoras

Mesmo empresas estruturadas cometem erros que comprometem a visão de lucro.

1. Separar financeiro e operação

Quando o financeiro não conversa com a operação:

  • Os dados não refletem a realidade
  • As decisões são tomadas com atraso

2. Falta de detalhamento dos custos

Agrupar despesas em categorias genéricas impede análises mais profundas. O resultado? Você sabe quanto gastou, mas não sabe por quê.

3. Uso excessivo de planilhas

Planilhas funcionam… até certo ponto. Depois disso:

  • Viram retrabalho
  • Geram inconsistências
  • Limitam a análise

4. Não acompanhar indicadores em tempo real

Tomar decisões olhando o passado é um dos maiores riscos. Controle financeiro eficiente exige acompanhamento contínuo.

5. Ignorar custos indiretos

Custos que não estão diretamente ligados à produção como logística interna, ociosidade e retrabalho, muitas vezes passam despercebidos. Mas são exatamente eles que corroem a margem.

Indicadores financeiros para preservar a margem

Se você não mede, você não controla. E no contexto da mineração, alguns indicadores são indispensáveis:

Margem de contribuição

Amargem de contribuição mostra quanto da receita realmente sobra após o pagamento dos custos variáveis, sendo a base para entender se a operação é sustentável no curto prazo. Ela revela se o que está sendo produzido de fato contribui para cobrir a estrutura da empresa e gerar lucro.

Na prática, uma mineradora pode aumentar o faturamento e ainda assim ter uma margem de contribuição insuficiente, o que indica um problema estrutural de custo ou precificação.

Custo por tonelada produzida

Esse é um dos indicadores mais importantes para operações mineradoras, porque conecta diretamente o financeiro à produtividade. Ele mostra quanto custa, de fato, produzir cada tonelada, considerando insumos, operação e eficiência dos ativos.

Ponto de equilíbrio

O ponto de equilíbrio indica o nível mínimo de produção ou faturamento necessário para cobrir todos os custos, sem gerar lucro nem prejuízo. Ele é diretamente influenciado pela margem de contribuição e pelos custos fixos da operação.

EBITDA operacional

OEBITDA (sigla em inglês para Earnings Before Interest, Taxes, Depreciation and Amortization), que em português, significa Lucros antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização, mostra a capacidade real da operação de gerar caixa, desconsiderando fatores como impostos e estrutura financeira. Na prática, ele permite entender se o negócio é saudável do ponto de vista operacional, antes mesmo de considerar fatores externos.

Indicadores de eficiência operacional

Indicadores como produtividade por equipamento, taxa de utilização e consumo por hora ajudam a traduzir a operação em números acionáveis. Eles mostram, de forma objetiva, se os recursos estão sendo bem utilizados ou se há desperdícios ocultos.

Controle financeiro eficiente começa com integração

Aqui está o ponto de virada. Não existe controle financeiro sólido sem integração com a operação.

Isso significa:

  • Dados de produção conectados ao financeiro
  • Custos vinculados diretamente às atividades
  • Visão em tempo real da operação

Modelos como o custeio baseado em atividades mostram exatamente isso: os custos precisam ser analisados a partir do que realmente os gera.

Na prática, você deixa de:

  • Registrar gastos

E passa a:

  • Entender causas
  • Identificar desvios
  • Corrigir rapidamente

ERP para controle financeiro em mineradoras: o que muda na prática?

É aqui que entra o papel da tecnologia. Um ERP para controle financeiro voltado para mineração não é apenas um sistema de gestão.

Ele funciona como um ponto de integração entre:

  • Finance
  • Produção
  • Manutenção
  • Logística

Com isso, você consegue:

  • Visualizar custos por operação
  • Acompanhar indicadores em tempo real
  • Automatizar processos
  • Reduzir erros manuais

E principalmente: tomar decisões com base em dados confiáveis.

O que realmente protege sua margem?

Para se ter controle financeiro, não basta cortar custos indiscriminadamente.

Quando você entende:

  • Onde está gastando
  • Por que está gastando
  • E como isso impacta o resultado

Você passa a ter controle real da operação.

E margem deixa de ser uma estimativa, para se tornar uma decisão.

Como alcançar visibilidade financeira na sua operação?

Talvez o problema não esteja nos números, mas na forma como eles estão sendo gerenciados.

Conheça o ERP da Minerion e veja como integrar operação e financeiro pode transformar a forma como sua mineradora enxerga custos, produtividade e lucro:

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