O avanço da transição energética, a digitalização da economia e a reestruturação das cadeias globais de suprimentos colocaram os minerais críticos no centro das estratégias industriais e geopolíticas ao redor do mundo. Esses minerais são fundamentais para o desenvolvimento de tecnologias de baixo carbono, sistemas de defesa, eletrificação de veículos, produção de baterias, chips e equipamentos de telecomunicação e sua importância só tende a crescer nas próximas décadas.

O Brasil, como uma das maiores potências minerais do planeta, tem um papel crucial a desempenhar neste cenário. Sua diversidade geológica e abundância de reservas colocam o país entre os protagonistas da oferta global de minerais do futuro, mas também impõe desafios estruturais que precisam ser superados.

O que são minerais críticos?

De forma geral, minerais críticos são aqueles que combinam alta importância econômica com risco de interrupção no fornecimento e definidos por governos e instituições com base em três critérios principais:

  • Relevância estratégica e econômica, por estarem associados a setores como energia renovável, tecnologia, mobilidade e defesa;
  • Baixa substitutividade, ou seja, poucos ou nenhum substituto técnico viável;
  • Risco de escassez ou concentração geográfica da produção, o que pode gerar vulnerabilidade no abastecimento global.

Por isso, países como Estados Unidos, Canadá, União Europeia e Japão possuem suas próprias listas de minerais críticos, adaptadas à sua realidade econômica e à sua dependência externa.

Quais são os minerais críticos e estratégicos para o Brasil?

De acordo com o Ministério de Minas e Energia (MME), o país já identificou uma lista de minerais estratégicos, muitos dos quais são também considerados críticos internacionalmente.

Veja alguns exemplos de destaque:

  • Nióbio: segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) o Brasil detém aproximadamente 90% das reservas conhecidas no mundo. É essencial na fabricação de ligas metálicas de alta resistência e aplicações em supercondutores.
  • Terras raras: grupo de 17 elementos utilizados na produção de turbinas eólicas, ímãs permanentes, baterias, chips e tecnologias de defesa.
  • Lítio: indispensável para baterias de íon-lítio usadas em veículos elétricos e dispositivos móveis. O Vale do Jequitinhonha (MG) tem atraído forte interesse de investidores internacionais.
  • Cobalto, manganês e grafite: são cruciais na cadeia de suprimentos de baterias e células solares.
  • Cobre e níquel: fundamentais para infraestrutura elétrica, conectividade e eletromobilidade.

Vale lembrar que o Brasil também possui reservas importantes de urânio, silício, vanádio e outros elementos usados em tecnologia limpa e aplicações industriais avançadas.

Desafios enfrentados pelo Brasil na produção de minerais críticos

Apesar da grande disponibilidade de recursos, o país enfrenta entraves estruturais e regulatórios que limitam o aproveitamento pleno do seu potencial mineral:

  • Infraestrutura logística deficiente: a distância entre jazidas e centros industriais ou portos ainda é um desafio, principalmente nas regiões Norte e Centro-Oeste.
  • Burocracia e demora no licenciamento: o excesso de etapas e prazos imprevisíveis para concessões e licenças ambientais desestimula investidores.
  • Falta de mapeamento geológico atualizado: ainda há pouca informação detalhada sobre muitas jazidas, dificultando decisões de investimento.
  • Necessidade de qualificação técnica: exploração e beneficiamento de elementos como terras raras exigem mão de obra altamente especializada e tecnologias específicas.
  • Pressões socioambientais e requisitos ESG: empresas precisam garantir rastreabilidade, compromisso ambiental e diálogo com comunidades para operar de forma sustentável.

Esses desafios também são aprofundados no artigo Mineração do Brasil: conquistas e desafios, que traça um panorama da evolução recente do setor.

A demanda global e a pressão por rastreabilidade

Com a transição energética e o avanço das tecnologias limpas, a demanda por minerais críticos deve crescer consideravelmente nas próximas décadas. Elementos como lítio, cobalto e grafite vêm ganhando protagonismo em setores como mobilidade elétrica, energia renovável e armazenamento de energia, o que aumenta a pressão sobre a produção e a cadeia de fornecimento global.

Isso exige sistemas robustos de rastreabilidade e compliance, pois países e empresas exigem comprovação de origem, respeito a normas ambientais e ausência de trabalho análogo à escravidão em toda a cadeia produtiva. O Brasil, para se destacar, precisa alinhar a produção às melhores práticas internacionais.

Como as empresas podem se preparar?

Para não apenas sobreviver, mas liderar nesse novo cenário, as empresas do setor mineral devem se antecipar com ações estratégicas:

1. Investimento em tecnologia

Sistemas de gestão especializados (ERPs) possibilitam rastrear cada etapa da produção, desde a lavra até a expedição, facilitando a emissão de documentos legais, controle fiscal, apuração de royalties e transparência total da cadeia.

2. Sustentabilidade como pilar central

Não é mais possível dissociar mineração de responsabilidade ambiental. Adoção de métricas ESG (ambientais, sociais e de governança) é pré-requisito para obter licenças, captar recursos e manter relações comerciais.

3. Desenvolvimento de fornecedores locais

Criar uma cadeia produtiva nacional fortalecida, conectando universidades, centros de pesquisa, startups e indústrias de beneficiamento, contribui para reduzir a dependência externa e agregar valor interno.

4. Planejamento geopolítico e de longo prazo

Países e empresas estão revendo suas estratégias de segurança mineral. Ter visão de longo prazo sobre preços, demanda e oferta mundial é essencial para tomar decisões acertadas.

O papel da tecnologia na gestão de minerais críticos

A adoção de tecnologias de gestão tem se mostrado cada vez mais importante para empresas que atuam com minerais críticos. Soluções especializadas contribuem para organizar dados operacionais, reduzir falhas manuais e facilitar o acompanhamento da produção.

Além disso, sistemas digitais ajudam a dar mais agilidade aos processos internos e a manter registros mais confiáveis, o que é essencial em um cenário de exigências crescentes por transparência e conformidade regulatória.

Conclusão

O Brasil está diante de uma grande oportunidade: consolidar-se como um fornecedor confiável de minerais críticos e estratégicos para o mundo. Mas, para isso, será necessário investir em inovação, sustentabilidade e integração de dados.

Com ferramentas especializadas como o Minerion, as empresas do setor podem avançar rumo a uma mineração mais digital, segura e preparada para as exigências globais, tornando-se protagonistas da transição energética e tecnológica que já está em curso.

Se sua empresa atua no setor mineral e quer se preparar para esse novo cenário, fale com um consultor do Minerion e conheça nossas soluções especializadas.

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